Bolsonaro alfineta bancos e sindicatos em entrevista a rádio argentina

Em viagem à posse de Javier Milei, ex-presidente afirmou que criou o Pix e ‘eliminou o sindicato das questões trabalhistas’

Ex-presidente Jair Bolsonaro dá entrevista a jornalista argentino em viagem a Buenos Aires para a posse do presidente eleito Javier Milei – Radio Mitre no YouTube

Folha de São Paulo 

Em viagem à posse de Javier Milei na Argentina, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alfinetou bancos e sindicatos e afirmou que foi o criador do Pix a uma rádio do país. O sistema de pagamento instantâneo foi desenvolvido, na verdade, por equipe técnica do Banco Central, mesmo órgão ao qual ele disse ter dado autonomia, e depois lançado durante seu governo.

“Criamos algumas medidas que os banqueiros não gostaram. Nós criamos no Brasil algo que é conhecido como Pix. Ou seja, eu aqui com esse telefone celular transfiro para alguém do Brasil qualquer importância sem qualquer taxa. E os banqueiros perderam bilhões de reais com essa inovação nossa”, declarou ele nesta sexta (8).

“Os banqueiros não gostaram nada”, respondeu então o jornalista Eduardo Feinmann em seu programa na rádio Mitre, do grupo Clarín, a quem Milei deu uma de suas primeiras entrevistas após vencer as eleições. “Os banqueiros odiaram isso”, replicou Eduardo Bolsonaro, seu filho e deputado federal (PL-SP), que fez o papel de tradutor.

A resposta de Bolsonaro sobre o Pix veio depois que o apresentador perguntou se, no Brasil, ele também era chamado de nazista ou fascista como Milei. “São as acusações contra a gente, e é exatamente o contrário. Quando se fala em fascismo, é o Estado, e eu diminui o peso do Estado no Brasil, eu desburocratizei muita coisa”, disse.

Em seguida, ele afirmou que “nenhum governo gosta de abrir mão de poder”, mas ele “deu autonomia ao Banco Central”. Eduardo completou: “Eles gostam de fazem intervenções, subir e descer juros, fazer desvalorizações da moeda. E o Bolsonaro não, tirou as mãos do Estado do Banco Central”.

Na Argentina, a gestão do BC é intimamente ligada ao governo. O economista escolhido por Milei para comandar o órgão, Santiago Bausili, é aliado do seu novo ministro da Economia, Luis Caputo, apesar de ele ter dito que fecharia a instituição durante a campanha. Milei pretende fazer uma desvalorização do peso oficial depois que assumir.

Bolsonaro também disparou contra os sindicatos brasileiros, sem dar mais detalhes: “Uma coisa muito importante na nossa economia, começou com o governo [de Michel] Temer [MDB], mas nós fomos ao final. Nós praticamente eliminamos o sindicato das questões trabalhistas brasileiras.”

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