Governo diz que decisão do STF sobre precatórios consolida harmonia entre os Três Poderes

A decisão acontece após a Corte autorizou a quitação de R$ 95 bilhões em precatórios neste ano

A decisão acontece após a Corte autorizou a quitação de R$ 95 bilhões em precatórios neste ano  Foto: Adriano Machado/Reuters

Estadão

BRASÍLIA – O governo federal divulgou nota conjunta sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito do pagamento de precatórios, dívidas judiciais da União. Na última semana, a Corte autorizou a quitação de R$ 95 bilhões em precatórios neste ano. Para operacionalizar o pagamento, o Executivo precisa editar uma medida provisória abrindo crédito extraordinário.

A nota – assinada por Simone Tebet (ministra do Planejamento), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Dario Durigan (ministro da Fazenda em exercício), Cristina Kiomi Mori (ministra da Gestão em exercício) e Bruno Moretti (ministro da Casa Civil em exercício) – destaca a retomada da regularidade do pagamento dos precatórios federais, frisando a “consolidação da harmonia e do bom entendimento” entre os Três Poderes.

”A decisão também representa um resgate da dignidade da Justiça e da efetividade das decisões do Judiciário, além de externar compromisso com a segurança jurídica. A decisão, ainda, prestigia a atuação do Parlamento na definição do espaço orçamentário, pois preserva o Regime Fiscal Sustentável, aprovado pelo Congresso Nacional, prevendo que a quitação do passivo criado pelas referidas emendas constitucionais será efetuada por meio de créditos extraordinários, que serão oportunamente submetidos à consideração do Parlamento mediante o envio de medidas provisórias”, diz o texto.

O STF autorizou o pagamento dos precatórios por 9 votos a 1. Os precatórios, que são dívidas do governo com pessoas e empresas cujo pagamento já foi determinado por uma decisão judicial definitiva, estavam represados por uma Emenda Constitucional aprovada em 2021, conhecida como “PEC do Calote”, que “pedalou” o pagamento dessas dívidas da União durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.

A PEC criou um limite anual de pagamento dos precatórios para abrir espaço no Orçamento para outras despesas, em ano eleitoral. A parcela não paga “rolava” para o ano seguinte, até 2027, quando venceria a PEC. Segundo o Ministério da Fazenda, a “bola de neve” chegaria a R$ 250 bilhões.

”Assim, convém registrar a sensibilidade e o espírito público da unanimidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal, compreensíveis à urgência da resolução do tema dos precatórios. Ademais, compreenderam que a decisão não precisava importar no sacrifício de políticas públicas já endereçadas pela atual gestão”, prossegue a nota.

O comunicado divulgado pelo governo ainda fala sobre os precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que seguem uma outra sistemática para a quitação.

“Embora o STF não tenha acolhido o pedido para permitir o pagamento imediato dos precatórios do Fundef, a Advocacia-Geral da União tem se empenhado, juntamente com o Ministério da Educação, para negociar os processos ainda em curso no Supremo Tribunal Federal, mantendo o seu compromisso com a valorização da educação”, finaliza o texto.

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