Este é o BBB menos transante da história

No país do Carnaval e da micareta, falta de beijo de língua intriga telespectadores do BBB 24

Deniziane e Matteus, que ainda não sucumbiram aos beijos no BBB 24 – Reprodução/Globoplay

F5

Você já ouviu falar de vanera? Pois eu já, sou nascida e crescida no Rio Grande do Sul e esse é um dos ritmos locais mais populares. Nos Centros de Tradições Gaúchas (CTG), homens com suas bombachas e mulheres com seus vestidos armados se deslocam pelo salão. Os passos básicos não são misteriosos. Dois pra lá, dois pra cá. Mas a coisa se complica à medida que as gaitas ficam desenfreadas e a música ganha velocidade.

É bonito de ver, mas, para quem está acostumado com forró e danças mais agarradinhas, a vanera parece pudica. Há de se manter considerável distância entre o peão e a prenda. Mais ou menos o que acontece entre o gaúcho Matteus e a mineira Deniziane no BBB 24 (Globo). Eles são a dupla mais próxima de um casal que apareceu na edição até agora nessa edição pouco transante. O primeiro beijo entre eles aconteceu depois de dezoito dias de programa.

Quando Matteus respira perto do cangote de Deniziane, ela fica arrepiada. Os dois vivem próximos um do outro. Ele chega perto dela e dá pra ver que as pernas da moça ficam bambas. Dia desses eles estavam deitados juntos em uma conchinha que parecia o nirvana: os corpos encaixados, um par de mãos dadas, enquanto ela fazia cafuné no rapaz.

Foram dias de chamegos e carícias, um ou outro arreto (que é como se chama amasso no Alegrete), mas nada de línguas trançadas. Misterioso pra quem, como eu, vê o beijo na boca como condição fundamental para começar os trabalhos. Mas os jovens de hoje em dia inventam cada coisa, vai ver inverteram a ordem.

E, olha, o esperado beijo foi um tanto rápido e sem graça. Por essas e outras que os espectadores estão muito mais preocupados com a luta de classes com traços colonialistas que se desvela entre Wanessa Camargo, Yasmin Brunet e Davi do que em torcer por romance e paixão.

Além de Matteus e Deniziane, houve o lance entre Alane e o eliminado Nizam. Mas esse dá até preguiça de contar. Ela disse que não queria fazer nada ali dentro, ele disse que estava velho demais pra não fazer nada, acabou que eles trocaram carícias sob as cobertas e nada de beijos molhados, tampouco chamegos carinhosos, até porque Nizam não deu indícios de ser carinhoso. É melhor pra ela que as coisas tenham estacionado, afinal, o cara se mostrou egoísta, babaca e machista.

Inclusive, é por causa caras como Nizam e Rodriguinho, que julgam o corpo das mulheres como se fossem pedaços de picanha no açougue (e provavelmente não sabem o que fazer no churrasco), que Matteus vem despertando simpatia. Enquanto Nizam se referia a Alane como “a coisa lá”, ele fala de Deniziane como “um mulherão”. O alegretense é galante, e não ultrapassa os limites impostos por ela, tomara que ele continue assim. Torço por um beijo com mais língua e entrega, porque é gostoso e bonito de ver.

Só que nessa toada, tem horas que um beijo quente e voluptuoso entre Fernanda e Pitel parece mais provável de ocorrer do que entre Matteus e Deniziane, cuja dança da sedução segue constante e espaçosa como uma vanerinha. As duas amigas estão sempre juntas, demonstrando conexão intelectual e intimidade, daquelas em que apenas um olhar bastaria para dizer o que mil palavras não dizem. Mas ainda assim elas dizem as mil palavras, entregando diversão com suas línguas ferinas e infernizando Rodriguinho.

Tem quem veja as duas e tenha certeza de que uma hora rola. Mas eu, que também tenho amigas com quem formo dupla dinâmica, garanto que esse grau de proximidade todo está longe de significar tensão sexual.

Mas também é verdade que eu já beijei várias das minhas amigas.

Porque beijo é lúdico.

E o Carnaval está aí.

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