‘Nunca tive árvore de Natal, até que o Renato fez a gente comprar’, conta Thaila Ayala

Casal, que volta junto às novelas em 2024, posa em ensaio exclusivo com os filhos Francisco e Tereza, que nasceu em abril com uma cardiopatia congênita

Thaila e Renato com os filhos Francisco e Tereza: primeiro Natal de toda a família — Foto: Pedro Miceli

O GLOBO

Existe um antes e um depois de 2023 nas vidas dos atores Thaila Ayala e Renato Góes. O casal comemora hoje o primeiro Natal depois do mais profundo abalo: uma cirurgia no coração da caçula Tereza, nascida em abril com a cardiopatia congênita Comunicação Interventricular (CIV), em que os bebês têm um “buraquinho” na parede que divide os ventrículos direito e esquerdo. “O médico me disse para ficar preparado porque seria uma operação bastante complicada”, lembra-se Renato.

“Perguntei: ‘Mas o quão complicada?’. E ele respondeu: ‘Olha, vamos abrir o peito dela…’. Fiquei sem saber como contar à Thaila.” Mas esta história termina feliz, como todas as outras que envolvem o casal e os filhos no últimos anos. “A sensação é a de ter vivido três vidas num ano só”, resume a atriz. As agruras começaram em 2020. Thaila perdeu duas gestações e retirou uma das trompas. Conseguiu engravidar em 2021, mas teve sérias complicações, correndo risco de morte. Tudo acabou bem, e Francisco é hoje uma criança de 2 anos.

Grávida novamente, recebeu a notícia da doença de Tereza ainda na barriga. A cirurgia, em junho, foi bem-sucedida, assim como a recuperação. Uma trajetória transformadora para o casal. No início do mês, eles voltaram juntos aos sets, nas gravações de “Família é tudo”, novela das 19h de Daniel Ortiz com estreia prevista para março, na TV Globo. “Ficar parada foi a maior dor do puerpério”, conta a atriz, que gravou, com Julia Faria, o videocast sobre maternidade “Mil e uma tretas”, neste período. Já Renato emendou uma novela na outra, “Pantanal” e “Mar do Sertão”. “Isso é loucura. Minha vida profissional seguiu, mas a da mãe foi abruptamente parada”, lamenta o ator.

Este Natal será em casa, no Rio, com as famílias de ambos, vindas de Presidente Prudente (SP) e Recife. E, embora Thaila não tenha boas lembranças desta época do ano, diz aprender com Renato a construir memórias afetivas para os filhos. A começar pela árvore, que ela nunca teve, mas o marido fez questão. E não faltam motivos para celebrar.

Qual balanço fazem de 2023?
THAILA: Foi uma grande loucura. Ainda grávida, eu já lidava com as dificuldades da Tereza. Pari em abril, e ela nasceu bem, aí veio todo o processo do coração… A sensação é a de ter vivido três vidas num ano só. Sou outra pessoa.

RENATO: Viemos de três anos trabalhosos. Com o pé na paternidade, e na maternidade sem nenhum romantismo, né? Mas 2023, para mim, foi especial porque me permitiu estar perto deles em todos os momentos, diferentemente dos anos anteriores, em que estava trabalhando. Então, foi um ano difícil, mas especial, porque estive presente. E pude ficar ao lado de Francisco, que sentiu a vinda de Tereza.

Qual foi o momento mais difícil durante a cirurgia da Tereza?
THAILA: Foi deixá-la na maca, no centro cirúrgico. Dias antes, a gente estava bem, mas na noite anterior você começa a fazer cálculos e pensa que talvez seja a última noite… Enfim… Acordei mais positiva, “vai dar tudo certo”, mas quando a deixei lá, ela olhou para mim e eu vi os olhinhos dela sendo fechados pelo gás, com a máscara, e eu não sabia se os veria abertos novamente… Eu cantando “Gatinha manhosa” no ouvidinho dela para ela se acalmar. Fui retirada porque não conseguia sair.

RENATO: E foram umas cinco horas esperando… Até ali, tudo foi muito rápido, porque, embora a gente soubesse desde a barriga que a possibilidade de cirurgia era grande, em todas as perspectivas só aconteceria a partir do sexto mês. Nunca com dois meses. Até que disseram que teria que operar dali uma semana, né, meu amor?

THAILA: Tinha que ser rápido. E ela saiu da cirurgia ainda com uma abertura, mas menorzinha, que está quase 100% fechada. Tereza é muito guerreira.

Como é a relação de vocês com o Natal e que lembranças querem deixar para os filhos?
THAILA: Não tenho boas memórias. Enquanto meus pais estavam juntos, meus natais eram trágicos. A família do meu pai é toda alcoólatra, então tinha briga, muita porrada. E depois essa desunião, minha mãe sempre trabalhou no Natal e Ano Novo, como empregada doméstica. Por isso, desejo o contrário para os meus filhos, quero criar memórias afetivas, com simplicidade e união. Nunca tive árvore de Natal, até que o Renato fez a gente comprar.

RENATO: Ah, mas estamos juntos há seis anos e já fizemos muita coisa com as nossas famílias. Digo isso porque sei que essa questão é importante para Thaila, sei como era difícil a relação com a família dela e vejo o quanto mudou. Queria que ela falasse sobre o que é realidade, porque ela transformou a família inteira. As irmãs e a mãe já se relacionam melhor entre elas e com a Thaila. Estão mais próximas, se curtem. Estou vendo a mudança acontecer. São memórias recentes e potentes, e queria que Thaila relatasse, mas ela sabe a hora…

Talvez sejam dores que levem mais tempo para serem curadas, não?
THAILA: É sobre isso. Foram trinta anos tentando tratá-las.

RENATO: Bom, sobre os meus natais — que é o que me cabe falar, na verdade —, eles me remetem às minhas avós. Uma delas faleceu e a outra é presente e foi quem sempre juntou as famílias. Natal lá em casa era tão importante que eu achava que o feriado só existia por causa da minha avó (risos). Era meio sagrado.

THAILA: É um ritual tão gigantesco que quando fui passar com eles pela primeira vez, fiquei nervosa.

RENATO: Ganhei pontos com Thaila graças à minha família (risos) Acho que ela pensava: “Vou aguentar esse moleque porque tem a família dele”.

THAILA: Foi o maior presente. Por causa do meu trauma, da minha dor, da minha falta. Meus filhos também transformaram isso. Depois deles, a relação com a minha mãe, que eu via como abandono, mudou. Entendi a maternidade dela. Hoje sei que o jeito que ela sabia demonstrar amor era com serviços, costurando, cozinhando, limpando. E já me peguei fazendo igual. Tenho mais facilidade em servir do que brincar. Outro dia, eu fazia comida para o Chico e ele queria brincar. Eu falei: “Chico, a mamãe está fazendo sua comida”. Mas somos privilegiados e tenho uma pessoa para me ajudar. Pensei: “Vou brincar com meu filho porque é o que ele quer”.

Renato, você teve uma criação machista? O que traz de bom e de ruim do teu pai?
RENATO: Cresci numa sociedade machista, mas dei sorte porque meu pai é muito maneiro. E minha mãe, incrível. Nunca vivi extremos da masculinidade tóxica na relação dos dois, nem na relação de cada um com seus respectivos atuais. Mas claro que tem situações em que penso: “Aqui eu posso ser um pai diferente do meu”. Tento caminhar para ser um pai mais moderno.

Agora os dois voltam ao trabalho, na mesma novela. O que esperam de 2024?
THAILA: A minha personagem não vai até o final da novela, então não gravo muito. Vai ser possível estar mais presente em casa. Já o Renato está ferrado (risos).

RENATO: É, sou um dos protagonistas e a carga de trabalho vai ser grande.

Thaila, é seu primeiro trabalho como atriz desde a gravidez do Chico. Como foi ficar tanto tempo fora do mercado?
THAILA: Foram três anos: engravidei, perdi, engravidei, perdi, tirei trompa, engravidei, deu certo… Eu estava desesperada, pedindo socorro.

RENATO: Thaila estava num momento lindo profissionalmente, produzindo bastante, e está voltando só agora. Isso é uma loucura. É uma das diferenças entre ser pai e ser mãe. Eu, por mais que tenha me dedicado em casa, e ela sabe o quanto, minha vida profissional seguiu. Às vezes, a gente reclama por ficar três meses sem trabalho, imagina três anos!

THAILA: Você pensa “ninguém vai lembrar de mim”, “nunca mais vou voltar”. Foi a minha maior dificuldade no puerpério. Uma dor muito grande. E via meu marido trabalhando. Mas ele foi meu parceiro e até celebrava menos, coitado, porque naquele momento me doía muito ver minha vida parada. Pela primeira vez, ninguém tocava no meu nome. Mas com a Tereza entendi que é um privilégio estar em casa. Quero aproveitar intensamente o hoje, o agora, com eles.

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