Torcida retorna sem distanciamento em noite de virada do Corinthians

No primeiro jogo na volta do público, equipe supera o Bahia pelo Brasileiro

Corintianos comemoram o segundo gol da equipe contra o Bahia, marcado por Cantillo – Carla Carniel/Reuters

Por Folhapress

Luciano Trindade

SÃO PAULO

Para quem esperava o respeito ao distanciamento social no retorno das torcidas aos estádios, o confronto entre Corinthians e Bahia nesta terça-feira (5), na Neo Química Arena, mostrou que essa medida para conter a disseminação da Covid-19 dificilmente será cumprida nas arquibancadas.

No primeiro jogo do time alvinegro após a liberação de público anunciada pelo governador João Doria (PSDB), houve aglomerações em vários pontos nas dependências da arena alvinegra, principalmente no setor norte, onde ficam as organizadas, durante a vitória, por 3 a 1. A casa corintiana recebeu um público pagante total de 10.470 pessoas, com renda de R$ 520,529.

Depois de um ano, sete meses e oito dias, a torcida voltou a festejar gols presencialmente. Róger Guedes, aos 48 do primeiro tempo —num pênalti que levou à expulsão de Lucas Araújo pelo segundo amarelo—, Cantillo, aos 6, e Jô, aos 23, da etapa final, fizeram os gols dos donos da casa. Gilberto, também de pênalti, havia aberto o placar, aos 33 da etapa inicial.

Com o triunfo, a equipe de Sylvinho chegou aos 37 pontos e assumiu a quarta colocação do Nacional, com um ponto a menos do que o Flamengo, o terceiro —o time carioca, porém, tem quatro jogos a menos em relação aos paulistas.

Antes de entrar no estádio, todos os torcedores tiveram de apresentar comprovantes de vacinação contra o coronavírus, com duas doses da Coronavac, Pfizer ou AstraZeneca, ou a dose única da Janssen.

Aqueles que não estavam com o ciclo completo de vacinas precisaram ter ao menos um dose recebida, além de apresentar um teste negativo de Covid-19, feito pelo menos 48 horas antes do jogo para os do tipo PCR ou 24 horas para os de antígeno.

Em três pontos da arena corintiana um laboratório farmacêutico oferecia aos torcedores testes rápidos, que ficam prontos em até 15 minutos, por R$ 70.

O torcedor Allyson Pereira, 24, estava ansioso para voltar ao estádio, porém ele ainda não havia tomado a segunda dose, nem tinha feito um teste recentemente. Ele foi um dos que tiveram de recorrer ao serviço oferecido no estádio, mas só descobriu que teria de pagar depois de ter feito.

“Eu não sabia, não falaram nada”, disse o analista de suporte de TI à auxiliar que o atendia. “Tudo bem, nós vamos liberar”, ela respondeu. Depois de 15 minutos, o resultado dele deu negativo. “Ainda bem, não vinha aqui desde 2019, quando o Corinthians enfrentou o Botafogo”, afirmou Alyson.

Além do comprovante de vacinação, era obrigatório o uso de máscara em todos os setores do estádio. A reportagem flagrou vários torcedores desrespeitando essa regra após o acesso às arquibancadas.

Os espectadores também foram orientados a usar as cadeiras de forma intercalada, mesmo para aqueles que tivessem ido ao estádio em grupos de amigos ou familiares. No entanto, houve focos de aglomeração em vários pontos, sobretudo no setor norte.

Procurado, o clube não se manifestou sobre o ocorrido até a publicação deste texto. Durante o intervalo da partida, a locutora do estádio pediu à torcida para respeitarem as medidas de prevenção à Covid. Nos telões, recomendações também eram divulgadas.

Conter aglomerações será ainda mais difícil quando o estádio puder receber um público maior. Neste jogo, a arena pôde recepcionar até 30% de sua capacidade. A partir de 15 de outubro, será liberado um limite de 50%. A liberação total das arquibancadas está prevista para 1º de novembro.

O Corinthians volta a campo no próximo sábado (9), quando vai encarar o Sport. No dia (13), retorna a sua arena para enfrentar o Fluminense, ambos pelo Brasileiro.

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