Israel diz que pode cuidar da segurança de Gaza e fala em nova fase da Guerra

Plano do ministro de Defesa foi divulgado na véspera da viagem do secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, à região; Gallant defende órgão palestino subordinado a Israel e grupo multinacional para reconstrução

Imagem do dia 28 de outubro mostra primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu (à esq.), ministro da Defesa Yoav Gallant (centro) e ministro do gabinete, Benny Gantz. Gallant fala em exercer controle sobre a Faixa de Gaza Foto: Abir Sultan / AP

Estadão

O ministro da Defesa de Israel sugeriu nesta quinta-feira, 5, que Israel mantenha o controle da Faixa de Gaza após a derrota do Hamas. Para o ministro, Yoav Gallant, o controle de Gaza deve ser exercido por um órgão palestino com a orientação de Israel, enquanto Estados Unidos, União Europeia e aliados regionais assumam a responsabilidade pela reconstrução do território.

O plano do ministro foi divulgado antes de uma visita do secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, a Israel. Há uma pressão crescente dos EUA para que o governo de Binyamin Netanyahu elabore propostas pós-guerra.

Segundo Gallant, a proposta de Israel manter o controle em Gaza não é uma política em andamento e ainda precisa ser submetida a outros ministros. Ele afirmou que por enquanto a ação de Israel em Gaza continua com o foco em libertar os reféns do 7 de outubro e desmontar as “capacidades de poder e governo” do Hamas.

Gallant disse que Israel se reservaria o direito de operar dentro do território, mas não haveria “presença civil israelense na Faixa de Gaza depois que os objetivos da guerra fossem alcançados”, diz o plano. “Os moradores de Gaza são palestinos, portanto, os órgãos palestinos estarão no comando, com a condição de que não haverá ações hostis ou ameaças contra o Estado de Israel”, disse o ministro.

Em seguida, começaria uma nova fase na qual o Hamas não teria o controle da Faixa de Gaza. Órgãos palestinos assumiriam a governança do território e uma força multinacional se encarregaria de reconstrui-lo após a destruição generalizada causada pelos bombardeios israelenses.

O plano é diferente dos apelos dos EUA, que querem que o controle da Faixa de Gaza seja exercido pela Autoridade Palestina revitalizada e novas negociações para a criação de um Estado da Palestina seja criado ao lado de Israel. Essa proposta, no entanto, foi rejeitada por Binyamin Netanyahu.

Dentro do governo de Bibi, alguns membros da extrema direita dizem que os cidadãos palestinos deveriam se exilar da Faixa de Gaza, com o restabelecimento de assentamentos judaicos no território. Embora as propostas de Gallant possam ser consideradas mais práticas do que as sugeridas por alguns dos seus colegas de gabinete, é provável que sejam rejeitadas pelos líderes palestinos que afirmam que os próprios habitantes de Gaza devem ser autorizados a assumir o controle total da gestão do território assim que a guerra terminar.

Próxima fase

O plano de Gallant também desenhou a forma como os militares israelenses pretendem proceder na próxima fase da guerra em Gaza. Segundo esse plano, as Forças de Defesa de Israel (FDI) adotariam uma abordagem mais direcionada no norte da Faixa de Gaza, onde as operações incluirão ataques, demolição de túneis e ataques aéreos e terrestres. No sul, os militares israelenses continuarão tentando localizar os líderes do Hamas e resgatar reféns israelenses.

A nova fase parece atender aos pedidos dos EUA, que pressionam Israel a mudar para operações militares de baixa intensidade em Gaza, com mais precisão contra o Hamas, após três meses de bombardeios e ataques terrestres com destruição em massa. Em raras críticas públicas, o presidente americano Joe Biden alertou no mês passado que Israel estava perdendo apoio internacional por causa de seus “bombardeios indiscriminados”.

Na visita a Israel, Blinken deve aprofundar as negociações para o cenário pós-guerra, pressionar por mais ajuda para Gaza e tentar evitar qualquer escalada regional. A expectativa é de que ele mantenha conversas com autoridades palestinas na Cisjordânia ocupada e com líderes israelenses.

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