Político da sigla de Rafael Correa é assassinado no Equador dias após Villavicencio

Pedro Briones era dirigente local da sigla na província de Esmeraldas, na fronteira com a Colômbia

Pedro Briones ao lado da candidata Luisa González (direita), líder das pesquisas no Equador — Foto: Reprodução/Twitter

Folha de São Paulo

Pedro Briones, membro do partido do ex-presidente do Equador Rafael Correa, foi assassinado a tiros na tarde desta terça-feira (14) em Esmeraldas, perto da fronteira com a Colômbia. O episódio se dá apenas cinco dias após o atentado que vitimou o presidenciável Fernando Villavicencio, na semana passada.

Segundo a imprensa local, dois homens em uma moto atiraram em Briones, que atuava como líder local da sigla Movimento Revolução Cidadã em Esmeraldas, quando ele chegava em casa. A polícia informou que ele foi atingido por dois tiros na cabeça e um no peito, mas nem o Ministério do Interior equatoriano nem as forças de segurança nacionais confirmaram o relato à agência de notícias Reuters.

O Movimento Revolução Cidadã é a sigla de Rafael Correa, que governou o país de 2007 a 2017. O ex-presidente se autoexilou na Bélgica, país de sua mulher, após ser condenado a oito anos de prisão por corrupção. Ele ainda exerce grande influência na política nacional, no entanto —a candidata pelo seu partido, Luisa González, lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições marcadas para o próximo dia 20.

O “Equador vive sua época mais sangrenta. Isso se deve ao abandono de um governo inepto e um Estado tomado pelas máfias”, afirmou a presidenciável em seu perfil no X, o antigo Twitter. “Meu abraço solidário à família do companheiro Pedro Briones.”

Um dos rivais de Gonzáles na corrida eleitoral era Fernando Villavicencio, candidato também assassinado também a tiros na quarta-feira (9) ao sair de um evento de campanha em Quito, a capital, em um crime que chocou o país e imergiu em incerteza as eleições iminentes.

Um dos oito postulantes ao cargo, aparecendo em segundo ou quinto lugar nas opções de voto a depender da pesquisa, Villavicencio teve longa trajetória na vida pública e curta carreira política. Foi membro da Assembleia Nacional até três meses atrás, quando o presidente Guillermo Lasso decretou a chamada “morte cruzada”, dissolvendo o Legislativo e convocando as eleições marcadas para o dia 20.

Um dia após a morte do presidenciável, a candidata à Assembleia Nacional Estefany Puente também foi alvo de atentado. Ela dirigia um carro com adesivos de outro candidato, Eduardo Mendoza, quando o veículo foi interceptado por dois criminosos, que dispararam contra o para-brisa, do lado do motorista. Um tiro atingiu de raspão o braço de Puente, que recebeu atendimento médico.

O tema da segurança tem sido central nestas eleições no Equador. Nos últimos anos, a população do país latino-americano passou a ver no noticiário cenas com as quais não estavam acostumados, como chacinas em prisões, cadáveres pendurados em pontes, sicários abrindo fogo em restaurantes e sequestros-relâmpago.

Uma semana antes de sua morte, Villavicencio denunciou ameaças contra ele e sua equipe de campanha, supostamente procedentes do líder de um grupo criminoso ligado ao narcotráfico que está detido.

O presidenciável não foi o único político a ser assassinado no país latino-americano este ano. Omar Menéndez, candidato à prefeitura de Puerto López, em Manabí, pelo partido correísta, foi morto em 4 de fevereiro, um dia antes das eleições. Sua aliança ganhou o pleito, e Verónica Lucas, da mesma legenda, então assumiu o cargo.

Depois, em 23 de julho, o prefeito da cidade de Manta, Agustin Intriago, foi morto a tiros. Segundo a polícia, ele estava inspecionando obras públicas quando um homem saiu de um caminhão roubado e abriu fogo contra o político.

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