Principal comandante da Ucrânia pede mais soldados para o campo de batalha

O general Valeri Zaluzhni ressaltou a necessidade de aumento das tropas, principalmente para que a Ucrânia consiga desmobilizar os militares que estão no front desde o inicio da guerra contra a Rússia em fevereiro de 2022

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, posa para uma foto em Kharkiv, Ucrânia, após uma entrevista  Foto: Felipe Dana/AP

Estadão 

KIEV -O chefe das Forças Armadas da Ucrânia pediu na terça-feira, 26, a mobilização de mais tropas, um raro reconhecimento dos ucranianos de baixas na linha de frente, após quase dois anos de guerra com a Rússia.

Em sua primeira coletiva de imprensa desde a invasão da Rússia em Fevereiro de 2022, o general Valeri Zaluzhni também admitiu que as tropas ucranianas se retiraram, em grande parte, da cidade de Marinka, no leste da Ucrânia. É pouco provável que a perda da pequena cidade, agora em ruínas, tenha um impacto significativo no campo de batalha. Mas é, no entanto, um sinal de que as forças russas tomaram a iniciativa depois de a decepcionante contraofensiva da Ucrânia ter sido interrompida com a chegada do Inverno.

Apesar disso, Zaluzhni também comunicou que Kiev aplicou mais um golpe contra a frota russa no Mar Negro, ao destruir um grande navio de Moscou que estava atracado em um porto na Crimeia, região anexada pela Rússia em 2014.

Mobilização

O Exército ucraniano pediu uma maior mobilização de soldados para a linha de frente do campo de batalha. Na segunda-feira, 25, um projeto de lei publicado no site do Parlamento da Ucrânia propunha a redução da idade de recrutamento de 27 para 25 anos.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, apontou na semana passada que a liderança militar da Ucrânia propôs o recrutamento de mais 500 mil soldados, o que custaria mais de US$ 13 bilhões, segundo Zelenski. “Este é um número muito sério”, disse o presidente ucraniano, acrescentando que queria ouvir mais justificativas para a mobilização de tantas pessoas.

Zaluzhni enfatizou que não havia dito nada sobre a “necessidade de 500 mil ou 400 mil″ soldados – apenas uma “necessidade geral”. Para trazer para casa os soldados que se alistaram no início da invasão russa, disse ele, a Ucrânia precisa começar a treinar mais soldados agora.

“Nossas necessidades são recursos”, disse Zaluzhni. “São armas, são munições, são pessoas. Calculamos tudo isso ao formular nossas necessidades – pessoas que perdemos, pessoas que poderíamos perder no próximo ano.”

A forma de preencher as fileiras tem sido uma fonte de tensão crescente entre Zaluzhni e Zelenski. O presidente ucraniano se recusou até agora a aprovar um novo projeto de recrutamento sem uma desmobilização de tropas ucranianas que estão ativas desde o inicio do conflito com a Rússia.

“Até agora, não vi a desmobilização no plano deles. E essa é uma questão número um, uma questão de justiça para aqueles que lutam no front há tanto tempo”, apontou Zelenski na semana passada.

Mas Zaluzhni resistiu às questões sobre uma possível desmobilização de soldados, acrescentando que espera que em 2025, depois de três anos de serviço para aqueles que se juntaram à luta no início da invasão da Rússia em 2022, ele seria capaz de “substituir estas pessoas que estão atualmente fazendo seu trabalho em condições extremamente difíceis.”

Até mesmo proporcionar descanso às tropas ucranianas estava difícil, segundo o general. Para cumprir uma lei que determina o rodízio de soldados após seis meses, disse Zaluzhni, ele precisaria de “pelo menos o dobro de soldados” – e ainda mais, se a Rússia lançasse um novo ataque.

“Se estivermos trabalhando com a desmobilização após 36 meses, então muito provavelmente teremos de iniciar o processo de preparação de pessoas em idade de recrutamento já no próximo ano”, disse ele.

Acredita-se que as forças armadas da Ucrânia tenham cerca de 1 milhão de membros em seu contingente, embora o número não tenha sido divulgado publicamente. Kiev considera o número de vítimas um segredo de Estado, mas as autoridades norte-americanas estimam que mais de 120 mil soldados ucranianos foram mortos ou feridos, muito menos do que a Rússia, segundo Washington.

No próximo ano, garantiu Zaluzhni, será diferente, embora ele tenha se recusado a dar detalhes. “Só temos de lutar”, disse ele.

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