Pequenos saques e transferências aos EUA: o que os extratos bancários de Bolsonaro apresentados ao STF devem mostrar

Defesa de ex-presidente se antecipou à quebra de sigilo e entregou documentação ao ministro Alexandre de Moraes

O ex-presidente Jair Bolsonaro durante entrevista a jornalistas no Aeroporto de Brasília no fim de junho — Foto: Brenno Carvalho/O Globo

O GLOBO

Jair Bolsonaro (PL) entregou nesta semana ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os extratos bancários do período em que ele esteve na Presidência. Como informado por sua defesa em outras ocasiões, as movimentações devem mostrar saques para pagamentos a fornecedores em espécie e ainda transferências para conta de sua titularidade nos Estados Unidos.

Na petição à Corte, os advogados Daniel Tesser e Paulo Cunha Bueno afirmam que a apresentação dos documentos afastaria “necessidade de se movimentar a máquina pública para apurar os dados bancários em questão”, em uma tentativa de se antecipar a quebra de sigilo determinada no âmbito da investigação sobre um esquema de venda de joias recebidas de autoridades em viagens oficiais.

Em maio, quando vieram a público suspeitas sobre movimentações nas contas pessoais do ex-presidente e da sua mulher, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a defesa rebateu as acusações. Em uma entrevista à imprensa, os advogados informaram que durante o mandato, a equipe da Ajudância de Ordens sacava, mensalmente, valores para realizar pagamentos em espécie a pequenos fornecedores por razões de segurança.

De acordo com uma planilha divulgada pela equipe do ex-presidente à época, seus assessores sacaram R$ 644 mil em quatro anos, o equivalente a R$ 13 mil por mês. Esse tipo de procedimento era utilizado para pagamentos do dia a dia, com fornecedores pequenos, por razões de segurança e a fim de preservar as informações pessoais do casal, segundo a defesa.

— Essa maneira de atuação perdurou durante todo o governo. Havia uma contínua preocupação com fraude na conta do presidente, com depósitos escusos, para protegê-lo de fraudes bancárias — afirmou Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação da gestão de Bolsonaro e seu atual assessor.

No inquérito, a Polícia Federal havia identificado diálogos entre o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente, e assessoras de Michelle em que tratam de saques para o pagamento de contas pessoais da então primeira-dama.

— Havendo CNPJ, eram pagos os boletos diretamente, saídos da conta do presidente. Uma compra de pizza, uma compra na farmácia, uma prestação de serviço pequena. Era pago em dinheiro para que não se expusesse o tomador do serviço. Além disso, temos o problema de proteção de segurança, em caso de compra, pequenas compras, para proteger para qualquer tipo de ataque, envenenamento — afirmou.

Os advogados de Bolsonaro confirmaram ainda que o ex-presidente transferiu US$ 135 mil para uma conta em seu nome no BB Americas, filial americana do Banco do Brasil. O valor estava em uma conta-poupança no Brasil e teria sido enviado ao exterior porque o ex-presidente acreditava que o atual governo não conduziria a economia corretamente, segundo a defesa.

— Essa transferência aconteceu da conta do presidente vai Banco Central para uma conta também identificada em nome do presidente nos EUA. Porque ele acredita que o atual governo não vai conduzir bem a economia. Todo o dinheiro teve trânsito no Banco Central — afirmou Paulo Bueno, na coletiva.

Na petição ao STF, na quinta-feira, os advogados de Bolsonaro garantiram que, durante seu governo, o ex-presidente “se manteve fiel aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade”.

Compartilhe esta notícia!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

pt_BRPortuguese