Calor extremo aumenta risco relativo de morte; conheça cuidados

Capacidade do corpo de regular a temperatura fica prejudicada, o que pode causar mal-estar, dor de cabeça e exaustão

Mulher com bebê na av. Paulista – Zanone Fraissat/Folhapress

Folha de São Paulo

A onda de calor histórica que atinge todo país pode causar e agravar problemas de saúde em pessoas com comorbidades, além de crianças, idosos, e exige cuidados específicos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ganho de calor no corpo humano pode ser causado por uma combinação de calor externo do ambiente e calor interno do corpo gerado a partir de processos metabólicos.

A exposição ao calor mais quente do que a média compromete a capacidade do corpo de regular a temperatura e podem gerar mal-estar, exaustão, insolação e hipertermia. A desidratação ocasionada pela maior sudorese também é um problema.

“Os sintomas mais comuns de desidratação são câimbras, tonturas, dor de cabeça e enjoo. Quando o corpo perde a capacidade de termorregulação, quadros mais graves podem acontecer com sintomática de vômitos, hemorragias, alterações de consciência, desmaios, disfunção de múltiplos órgãos e até risco de morte”, diz a professora de medicina do esporte Carla Tavares.

Problemas prévios, como doenças do sistema cardiovascular, do trato respiratório e dos rins, também podem ser agravados nos períodos de alta de temperatura, segundo uma pesquisa feita na Alemanha.

Um estudo de 2021 publicado na revista internacional The Lancet, com dados sobre EUA, China e Brasil apontara que o clima quente aumenta o risco de morte em pacientes com doença cardíaca isquêmica, acidente vascular cerebral, cardiomiopatia e miocardite, hipertensão, diabetes, doença crônica, doença renal, infecção respiratória inferior.

“Uma pesquisa mostra que em temperaturas extremas, o risco relativo de morte aumenta 5,7% para cada 1°C mais quente, e 3,4% para cada 1°C mais frio”, diz Tavares.

No ambiente privado, as pessoas devem se manter hidratadas, com roupas frescas e, se possível, em locais cobertos e com temperatura controlada ou amena. Um levantamento feito em junho 2022 na América Latina e publicado pela revista Nature Medicine aponta que o frio ainda causa mais mortes nessa área do globo, mas que a mortalidade aumenta mais com o calor.

Para se proteger de problemas causados pelas altas temperaturas, vale atenção com hidratação (carregar sempre uma garrafa de água), alimentação (frutas com alto teor de água, como abacaxi, laranja e melancia, além de vegetais frescos), exercício físico na medida e uso de proteção solar e vestimentas adequadas.

A médica recomenda evitar excesso de bebida alcoólica, que potencializa o risco de desidratação, e manter-se ativo. Atividades mais extenuantes devem ser feitas no período das 4h às 7h da manhã e as famílias e vizinhanças devem conversar sobre as medidas e monitoramento dos mais vulneráveis. Em caso de espasmos musculares, não dê ou consuma “ácido acetilsalicílico ou paracetamol” e busque ajuda médica.

“Lembre-se de escolher horários mais frescos para se exercitar, usar roupas leves (elas ajudam a eliminar o excesso de calor do corpo), potencializar a hidratação e usar protetor solar, inclusive o labial”, diz.

Já as pessoas podem atuar mantendo a temperatura das casas e espaços de trabalho abaixo de 32°C durante o dia e 24°C durante a noite, o que pode ser feito com uso de persianas e cortinas onde bate sol, redução da carga de calor dentro do imóvel pela diminuição de luzes e equipamentos elétricos ligados, banhos frios, abertura de janelas no período mais fresco e colocação de toalhas molhadas no ambiente.

Além disso, é importante ficar atento ao aparecimento de sinais ou sintomas de alerta de desidratação e hipertermia. “Nesses casos, além de manter os cuidados preventivos, procure atendimento médico para avaliação e tratamento de forma precoce.”

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