Medo de morrer dormindo? Entenda quando é preciso se preocupar

Risco é baixo, mas especialistas alertam que problema está relacionado ao coração, vias aéreas ou cérebro

Qualidade do sono é vital para uma recuperação adequada do corpo — Foto: Freepik

O GLOBO

Faz sentido ter medo de morrer durante o sono? Especialistas apontam que, a menos que exista uma condição médica específica, a probabilidade de isso acontecer é relativamente baixa.

— Morrer durante o sono geralmente está relacionado ao coração, vias aéreas ou cérebro — afirma Milind Sovani, consultora em medicina respiratória do Nottingham University Hospitals NHS Trust, à Newsweek.

O problema é que, durante o sono, não são percebidos alguns sinais que seriam claramente observados ao estar acordado.

— Se eu estiver de pé e tiver uma pausa de 10 segundos na minha frequência cardíaca, vou cair, desmaiar e fazer um grande baque e alguém vai ouvir. Quando você está dormindo, você simplesmente não consegue responder a si mesmo e aos seus próprios sintomas — afirmou o cardiologista Jack Flyer ao The Wall Jornal Journal (WSJ).

A causa mais comum está relacionada ao coração, de acordo com o WSJ. Dados de Sumeet Chugh, diretor médico do Cedars-Sinai’s Heart Rhythm Center, na Califórnia (EUA), a parada cardíaca súbita é responsável por 90% das mortes súbitas e inesperadas durante o sono, também conhecidas como morte noturna, informou o jornal. Pessoas com maior risco são aquelas com doença arterial coronariana, coração aumentado ou batimento cardíaco irregular (geralmente rápido, também chamado de fibrilação ventricular).

Outro fator de risco é a apneia obstrutiva do sono porque ela pode levar a uma parada cardíaca. Pessoas com essa condição podem ter 2,5 vezes mais probabilidade de sofrer morte cardíaca súbita entre 12h e 6h do que aquelas sem apneia obstrutiva. Ela envolve um estreitamento dos músculos das vias aéreas, impedindo brevemente a respiração da pessoa. Isso causa falta de oxigênio, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial, o que, segundo Chugh, aumenta o risco de parada cardíaca.

Já em relação ao cérebro, especialistas ligam um sinal de alerta para os portadores de epilepsia, uma condição na qual as pessoas apresentam convulsões recorrentes. Em parte delas, esses sintomas não são totalmente controlados com medicamentos, o que pode levar à morte súbita e inesperada na epilepsia. Muitas vezes isso acontece à noite, e algumas pesquisas sugerem que o sono pode aumentar o risco de que isso ocorra, segundo o IFL Science.

Por fim, o acidente vascular cerebral também pode ser responsável pela morte súbita noturna. Cerca de 25% dessas ocorrências se dão durante o sono, e condições como a apneia também podem aumentar o risco. Eles acontecem quando um coágulo ou um vaso sanguíneo rompido impede que o sangue chegue ao cérebro. Sem um suprimento de oxigênio, as células cerebrais morrem e as partes do corpo que afetam as regiões de controle do cérebro não podem mais funcionar adequadamente, o que pode acabar sendo fatal.

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