Covid: quando o Brasil terá uma nova vacina? Dose atualizada está em análise na Anvisa

EUA se preparam para dar início à nova fase da imunização com imunizante específico para XBB.1.5, submetido pela Pfizer na Anvisa em julho

Vacina da Pfizer. — Foto: MAHMUD HAMS / AFP

O GLOBO

Em meio ao avanço de uma nova versão da variante Ômicron da Covid-19, a EG.5, os Estados Unidos se preparam para oferecer, a partir de setembro, uma nova dose atualizada da vacina. A formulação é monovalente, direcionada à sublinhagem XBB.1.5 que, embora não seja a EG.5, é mais próxima geneticamente e é a versão orientada pelos órgãos de saúde.

No Brasil, uma das farmacêuticas que produz o imunizante atualizado, a Pfizer, já entrou com um pedido na Anvisa para que ele seja permitido para uso no país. Segundo a farmacêutica, a solicitação foi feita ainda no dia 19 de julho. O prazo para análise é de 30 dias, mas pode durar mais tempo se a agência pedir dados adicionais ao laboratório. A Anvisa confirmou que a dose está em análise.

Ao GLOBO, a Pfizer disse, em nota, que “estará abastecida e pronta para distribuir o imunizante atualizado aos países, a depender das decisões regulatórias de cada localidade”. Porém, ainda que receba um sinal verde, especialistas explicam que a dose deve demorar a chegar ao Brasil.

Isso porque demandaria, por exemplo, de um acordo com o governo federal para a aquisição de doses e uma orientação do Ministério da Saúde para que elas sejam aplicadas.

Nesse contexto, eles reforçam que quem está com o esquema vacinal atrasado não deve esperar, mas sim buscar imediatamente os postos de saúde e receber a dose bivalente – cuja parte direcionada à Ômicron contempla as sublinhagens BA.4 e BA.5. Segundo o Vacinômetro do Ministério da Saúde, apenas 15,5% da população elegível recebeu a aplicação.

— As vacinas que temos disponíveis mantêm uma proteção alta, tanto que temos essas características de ondas de novos casos com baixa gravidade pelo alto grau de vacinação da população no mundo inteiro — diz o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo.

Além disso, a nova dose adaptada também não seria direcionada especificamente para a subvariante que deve se tornar predominante nos próximos meses, a EG.5.

— Hoje não temos essa agilidade para termos vacinas que acompanhem as variantes atuais. Caminharemos para isso, o que no futuro tornará a imunização mais precisa para a cepa que circula. Mas as vacinas disponíveis hoje não deixam de ser eficazes. Longe disso, mesmo com todas as subvariantes, a dose bivalente continua destinada à Ômicron e, ainda que não seja para a sublinhagem específica atual, confere uma forte proteção de modo geral — explica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.

As vacinas bivalentes funcionam?

Desde que a primeira versão da Ômicron (a BA.1) foi descoberta na África do Sul, no final de 2021, a linhagem tem produzido uma série de versões que, por serem mais transmissíveis e com maior potencial de causar reinfecção, têm substituído umas às outras sucessivamente.

Foi o caso ainda no início do ano passado com a BA.2, e depois, no meio de 2022, com a BA.4 e BA.5. Na época, as farmacêuticas passaram a direcionar os esforços para desenvolver uma dose bivalente – em que metade da formulação era direcionada à cepa original da Covid-19, e a outra metade para a BA.4 e BA.5 da Ômicron.

Porém, a mutação do coronavírus ocorre de forma mais acelerada do que os laboratórios e autoridades pelo mundo conseguem acompanhar. No final do ano passado e início deste ano, passaram a predominar novas versões chamadas de XBB, como a XBB.1.5 e a XBB.1.1.6.

— Nós temos visto uma subvariante substituindo a outra, essa adaptação é o que mantém o vírus circulando e escapando da imunidade populacional, reinfectando as pessoas. Essas mudanças, porém, não têm se refletido no aumento de casos graves. Mesmo com esses aumentos transitórios de casos, não tem ocorrido aumento de hospitalizações e óbitos. Então as vacinas funcionam — diz Kfouri.

Ainda assim, em maio, o Grupo Consultivo Técnico da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Composição de Vacinas da Covid-19 (TAG-CO-VAC) emitiu uma declaração em que aconselhava que os próximos imunizantes para a Covid-19 passassem a usar apenas uma versão do coronavírus em sua composição, e que fosse a XBB.

Em junho, três farmacêuticas – a Pfizer, a Moderna e Novavax – se reuniram com representantes da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, que pediu a elas novas vacinas direcionadas à XBB para setembro.

Os laboratórios começaram a produzir as doses em larga escala. Agora, aguardam a aprovação do FDA e a recomendação dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para começar a oferecê-las na campanha de setembro (pré-inverno no Hemisfério Norte).

No entanto, mais uma vez, a dose adaptada chegará depois que a subvariante específica deixou de ser predominante. Mas, como a EG.5 é uma descendente da XBB, a expectativa é que a nova vacina leve a um benefício superior às doses bivalentes – ainda que elas continuem altamente eficazes contra desfechos graves.

Nesta quinta-feira, a Pfizer chegou a dizer que o imunizante está sendo testado contra as subvariantes emergentes e que mostrou atividade neutralizante contra a Eris em um estudo realizado em camundongos. O mesmo foi dito pela Moderna, mas a partir de uma avaliação com humanos.

No futuro, Kfouri acredita que será possível detectar com mais agilidade o avanço de uma linhagem e ter uma produção mais rápida de uma nova composição da vacina direcionada a ela, como é o caso anualmente com o imunizante da gripe.

— A tendência é termos uma vigilância um pouco mais sensível e rápida, como fazemos com o Influenza, para termos atualizações de vacina mais aceleradas e com mais frequência. Acho que esse é o caminho, termos vacinas anuais, ou com intervalos menores — explica.

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