Kremlin rejeita como ‘mentiras’ especulações que ligam o governo russo à morte de Prigozhin

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que estava aguardando o resultado das investigações e prestou condolências aos familiares das vitimas

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de uma reunião com o seu gabinete de segurança em Moscou, Rússia  Foto: Mikhail Klimentyev/ AP

Estadão

O Kremlin rejeitou nesta sexta-feira, 25, as especulações de que o governo russo teria ordenado o assassinato do chefe do Grupo Wagner, Ievgeni Prigozhin, afirmando que uma investigação estava em andamento para estabelecer a causa da queda de um jato na região russa de Tver, que deixou dez pessoas mortas.

Depois que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se referiu a Prigozhin na quinta-feira, 24, como um “homem talentoso” que “cometeu erros”, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, comentou sobre as “mortes trágicas” dos passageiros do jato da Embraer que caiu na quarta-feira, 23, na região de Tver de Rússia.

“Precisamos falar sobre este tema com base em fatos”, disse Peskov, condenando o que chamou de “mentiras” sobre o incidente no Ocidente. “Não há muitos fatos. Eles serão descobertos no decorrer das ações investigativas. Ontem o presidente disse que aguardava os resultados da investigação, que será concluída num futuro próximo.”

O porta-voz do Kremlin ridicularizou as especulações no Ocidente que apresentavam o acidente “de um certo ângulo” como um assassinato ordenado por Putin. Contudo, entre a elite russa, muitos acreditam que a crise foi instigada pelo Kremlin.

Peskov também negou que Putin tenha se encontrado com Prigozhin pouco antes da suposta morte do chefe Wagner, depois que uma reportagem de um canal Telegram conhecido por vazamentos de agências de segurança russas afirmou que isso havia ocorrido.

O suposto assassinato intimidou a elite russa, que interpretou a morte do chefe do Grupo Wagner como um aviso de que qualquer sinal de deslealdade ou de dissidência em relação a guerra na Ucrânia não será tolerada por Putin, que se mostra cada vez mais autoritário.

Uma homenagem ao chefe do Grupo Wagner, Ievgeni Prigozhin, é feita em um café que era administrado por uma de suas empresas em São Petesburgo, Rússia  Foto: Dmitri Lovetsky / AP

Investigação

Autoridades dos Estados Unidos disseram que era possível que o jato de Prigozhin tenha sido destruído por uma explosão a bordo, observando que não havia sinal de lançamento de míssil visando o avião. Teorias semelhantes circularam nos canais russos do Telegram, focadas principalmente na possibilidade de explosivos terem sido plantados no jato.

Putin fez seus primeiros comentários na quinta-feira sobre a queda do avião, que se acredita ter matado também outros membros importantes do Grupo Wagner, decapitando efetivamente uma força que já foi fundamental para a guerra da Rússia na Ucrânia e que ainda tem combatentes destacados em toda a África e no Oriente Médio. Putin prestou condolências às famílias das vítimas, mas disse que uma investigação completa “levaria tempo”.

O serviço de imprensa de Prigozhin não confirmou sua morte, embora alguns canais do Telegram afiliados a Wagner estejam de luto por sua morte.

Várias partes do avião foram encontrados a pouco menos de três quilômetros do local principal do acidente, sugerindo que o avião se quebrou no ar. A asa parecia ter pouco ou nenhum dano por estilhaços. As peças foram então embrulhadas em lona e carregadas em caminhões.

Partes do jato da Embraer em que supostamente estava o chefe do Grupo Wagner, Ievgeni Prigozhin, foram investigadas pela perícia russa  Foto: Olga Maltseva/ AFP

A avaliação inicial do governo dos EUA foi que Prigozhin provavelmente morreu no acidente, afirmou o Pentágono na quinta-feira. O general Patrick S. Ryder, secretário de imprensa do Pentágono, recusou-se a abordar se o governo dos EUA acredita que Prigozhin foi assassinado, dizendo que “continuamos a avaliar a situação”.

Reputação

Apesar dos esforços do Kremlin desde junho para destruir a reputação de Prigozhin e retratá-lo como um bandido ganancioso em busca de ganhar dinheiro na guerra, memoriais espontâneos continuaram a surgir em todo o país na quinta e sexta-feira, apresentando fotografias de Prigozhin e do seu comandante de operações, Dmitry Utkin. . As pessoas colocaram flores e bandeiras do Grupo Wagner nas vitrines.

Embora Putin tenha tomado medidas para reafirmar o controle após a rebelião de Junho, a popularidade persistente do grupo mercenário continua a ser delicada para o Kremlin, dada a especulação generalizada na Rússia de que Putin estava por detrás do acidente mortal.

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, que intermediou um acordo entre Putin e Prigozhin que permitiu que as bases do Grupo Wagner fossem instaladas no país, afirmou que o Grupo Wagner continuará em Belarus.

“Wagner viveu, Wagner está vivo e Wagner viverá em Belarus”, disse ele. “Prigozhin e eu construímos um sistema e teremos o Grupo Wagner.”

“Não posso dizer quem fez isso”, afirmou Lukashenko. “Mas eu conheço Putin. É uma pessoa calculista, muito calma e até lenta, tomando decisões sobre outros assuntos menos complexos. Portanto, não consigo imaginar que Putin tenha feito isso, que Putin seja o culpado”, completou o presidente de Belarus.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Riabkov, criticou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na sexta-feira por sugerir que Putin poderia estar por trás da suposta morte de Prigozhin.

“Não cabe ao presidente dos EUA, na minha opinião, falar sobre eventos tão trágicos desta natureza”, disse Riabkov à agência Tass. Quando a notícia da queda do avião foi divulgada na quarta-feira, Biden disse aos jornalistas que não estava surpreso. “Não acontece muita coisa na Rússia que Putin não esteja atrás, mas não sei o suficiente para saber a resposta”, disse Biden.

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