Rússia volta a atacar porto no Danúbio na véspera de negociação sobre acordo de grãos

Alvo dos drones, cidade de Reni fica na fronteira entre região portuária de Odessa e a Romênia, membro da OTAN

Bombeiro tenta conter incêndio após ataque russo na região de Odessa, 03 de setembro de 2023.  Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia em Odessa/ Via Reuters

Estadão

A Rússia voltou à carga contra a infraestrutura portuária da Ucrânia com ataques na região de Odessa. Ao todo, foram lançados 25 drones um dia antes do encontro do presidente russo Vladimir Putin com o líder turco Recep Tayyip Erdogan. A expectativa é de que ele tente convencer o Kremlin a voltar para o acordo de grãos, que garantia um corredor para exportações pelo Mar Negro e ajudou a reduzir o preço dos alimentos no mundo em meio à guerra entre dois grandes produtores agrícolas.

Kiev acusou a Rússia de atacar instalações “industriais civis” às margens do Danúbio — na divisa entre a região ucraniana de Odessa e a Romênia, membro da OTAN — e afirmou ter abatido 22 dos 25 drones lançados. Ainda assim, segundo autoridades ucranianas, duas pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas.

O próprio exército russo admite que atingiu o porto de Reni, às margens do Rio Danúbio, e alegou que as instalações armazenavam combustível que seria usado para abastecer as tropas ucranianas.

A Romênia, por sua vez, criticou duramente o bombardeio. “Reiteramos nos termos mais fortes que esses ataques contra alvos civis e a infraestrutura da Ucrânia são injustificados e contradizem profundamente as regras do direito internacional”, declarou a em nota o Ministério da Defesa.

O movimento da Rússia é arriscado já que a OTAN tem uma regra clara que diz: o ataque contra um é o ataque contra todos. Ou seja, um erro de cálculo poderia colocar a Rússia em confronto direto com a aliança militar liderada pelos Estados Unidos.

O porto de Reni já havia sido atingido no fim de julho, quando a Rússia abandonou o acordou de grãos e lançou uma ofensiva contra infraestrutura agrícola da Ucrânia. O corredor aberto no Mar Negro permitiu que mais de 30 milhões de toneladas de grãos deixassem a Ucrânia e reduziu o preço global de alimentos em 20%, segundo dados da ONU, que mediou o acordo.

A Rússia, no entanto, alegou que não teve as suas reivindicações atendidas e acabou com a trégua no Mar Negro. Apesar do bloqueio russo, o primeiro cargueiro civil que saiu do país conseguiu voltar à Ucrânia em agosto e o presidente Volodmir Zelenski disse neste fim de semana que outros dois navios atravessaram um “corredor temporário” de grãos.

Nesta segunda-feira, 04, a tensão crescente na região será tema de um encontro entre Putin e Erdogan na cidade costeira de Sochi, às margens do Mar Negro na Rússia./COM INFORMAÇÕES DE AFP

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